quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

CARLOS PENA FILHO

Apresentação do Poeta Carlos Pena Filho


CARLOS PENA FILHO
“O Poeta do azul”

Carlos Pena Filho – Foi um poeta pernambucano considerado um dos maiores nomes da literatura brasileira do século XX. Filho de pais portugueses, Carlos Pena Filho nasceu no Recife, em 17 de maio de 1929. Em 1937, com a separação dos pais, mudou-se para Portugal, onde fez seu curso primário. Formou-se em direito pela Faculdade de Direito do Recife, na qual se encontra, hoje, o busto do poeta.
O escritor foi um poeta político, interessado em cada aspecto da vida de sua cidade e do seu Estado, Pernambuco. Seu estilo é carregado de oralidade e musicalidade, possuindo forte apelo pictórico. Em 1947, publicou o soneto “Marinha”, no Diário de Pernambuco, sendo o seu primeiro trabalho como poeta. Carlos Pena Filho teve sua carreira prematuramente encerrada em virtude de sua inesperada morte em 11 de julho de1960, quando ainda estava com 31 anos de idade.

Site da Prefeitura de Olinda

 

OBRAS

  • "O Tempo da Busca", 1952
  • "Memórias do Boi Serapião", 1956
  • "A vertigem Lúcida", 1958
  • "Livro Geral", 1959
Compositor, em parceria com Capiba, renomado músico pernambucano, foi autor de letras de músicas de sucesso, entre as quais destaca-se “A mesma rosa amarela”, incorporada ao movimento da Bossa Nova na voz de Maysa, e depois gravada por outros artistas como Vanja Orico, Tito Madi e Nelson Gonçalves, "Claro Amor", "Pobre Canção" e "Manhã de Tecelã".
A Vertigem Lúcida", seu terceiro livro, premiado pela Secretaria de Educação e Cultura de Pernambuco. Em 1959, lançou o "Livro Geral", reunindo sua obra poética já editada acrescida de poemas novos (Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro).
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

CARLOS PENA FILHO
“O Poeta do azul”
Desmantelo Azul


Então pintei de azul os meus sapatos 
por não poder de azul pintar as ruas
depois vesti meus gestos insensatos 
e colori as minhas mãos e as tuas

Para extinguir de nós o azul ausente
e aprisionar o azul nas coisas gratas
Enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas

E afogados em nós nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse  haver de azul também cansaço

E perdidos no azul nos contemplamos
e vimos que entre nascia um sul
vertiginosamente azul: azul.


Para Fazer um Soneto
Tome um pouco de azul, se a tarde é clara,
e espere um instante ocasional
neste curto intervalo Deus prepara 
e lhe oferta a palavra inicial

Ai, adote uma atitude avara
se você preferir a cor local 
não use mais que o sol da sua cara
e um pedaço de fundo de quintal

Se não procure o cinza e esta vagueza
das lembranças da infância, e não se apresse
antes, deixe levá-lo a correnteza

Mas ao chegar ao ponto em que se tece
dentro da escuridão a vã certeza
ponha tudo de lado e então comece.
  Vemos nestes textos de Carlos Pena enfatizando sempre o azul.
                     Subentendo que era a cor que ele mais gostava ou trazia-lhe paz, como também temos nós a nossa preferida, azul para mostrar as coisas gratas e extinguir as coisas onde não há o azul, ou seja, figuradamente punha azul nas coisas boas tirava-lhe a cor às coisas ruins.

Segundo Gilberto Freyre em depoimento no “Livro Geral”, Renato Campos contou 40 cores do azul, umas 30 do verde e cores diversas.
Palavra colorir usada várias vezes, cor e ecologia, cor e paisagem, cor e carnaval,  recifenses, mistura de cores : brancazul azulverde.
Segundo o próprio Carlos Pena era um pintor frustrado, pintava com palavras, misturava cores.
    No soneto “Para nascidas em abril” do livro Vertigem Lúcida
    Ele escreveu: sepultadas no azulescido Atlântico.



        Valorizava a vida quando diz: Lembra-te que afinal te resta a vida
Com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída
Entrar no acaso e amar o transitório.
“A Solidão e Sua Porta”


                      Ou ainda quando certo dia no Bar Savoy, valorizando a vida e sem puder mudá-la e tentando fazê-la melhor escreveu, disse:
Mas como a gente não pode
fazer o que tem vontade,
o jeito é mudar a vida
num diabólico festim.
Por isso no Bar Savoy,
o refrão é sempre assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados

“Chopp” Carlos Pena Filho
(1929-1960)

                     Publicou “O Boi Serapião” onde reunia poemas do gênero de cordel porém de maneira erudita “Este campo, vasto e cinzento/ não tem começo nem fim/ nem de leve desconfia, das coisas que vão em mim”.

Memórias do Boi Serapião
Cordel erudito:
“Episódio Sinistro de Virgulino Ferreira”

Nordesterro:
“O regresso de quem estando no mundo volta ao sertão”

                   Ele amava também a sua cidade, o Recife, para ela ele diz:
“Recife, cruel cidade,
águia sangrenta, leão.
Ingrata para os da terra,
boa para os que não são.

Amiga dos que a maltratam
inimiga dos que não,
este é o teu retrato feito
com tintas do teu verão
e desmaiadas lembranças
do tempo em que também eras
noiva da revolução.”
(Guia Prático da Cidade do Recife – O Fim, 1999:142-143)

“No ponto onde o mar se extingue (IV)
E as areias se levantam
Cavaram seus alicerces
Na surda sombra da terra
E levantaram seus muros
Do frio sono das pedras.
Depois armaram seus flancos:
Trinta bandeiras azuis plantadas no litoral.
Hoje, serena flutua, metade roubada ao mar,
Metade à imaginação,
Pois é do sonho dos homens
Que uma cidade se inventa.”
(Guia Prático da Cidade do Recife – O Início, 1999:129)
       
           E ele distribuía Amor, como nesta poesia a sua mulher: “Tânia: recebe este livro
agora mesmo composto
na face azul do teu rosto,
ilha de sal e de areias
azuis como as nossas veias”.
Carlos Pena Filho
(Dedicatória do Livro Geral de seus poemas a Tânia, sua mulher).
            Obs. De novo presente a cor azul.
          
           Carlos Pena também foi Jornalista além de formado em Direito. Versava sobre a sua cidade, falava da vida, escrevia para sua amada, escreveu sobre temas sociais, nos seus sonetos pintava a vida em poesias, era um boêmio onde passava as madrugadas no famoso Bar Savoy na Av. Guararapes, no centro do Recife
                Era culto, simpático, amigável e também escrevera para Olinda: “Olinda é só para os olhos, / Não se apalpa, é só desejo./ Ninguém diz: é lá que eu moro/ Diz somente: é lá que eu vejo”.
http://www.vermelho.org.br


         Terminou a Faculdade de Direito do Recife, em 1957, mesmo ano em que se casou com Tânia Carneiro, para ela escreveu: “Por seres bela e azul e improcedente / é que sabes que a flor o céu e os dias/ são estados de espírito somente,/ como o leste e o oeste, o norte e o sul./ Como a razão por que não renuncias/ ao privilégio de ser bela e azul”.

         Obs. A cor azul presente
http://www.vermelho.org.br


            A obra de Carlos Pena Filho revela sentimento de delicadeza e cuidado para não ofender as pessoas e as idéias. Ele era conhecido pelos amigos, como sendo uma pessoa muito comunicativa, sorridente, cordial, tolerante e compreensiva. Naturalmente, muito dessas características eram passadas para sua obra.

          Sua última poesia, Eco, foi publicada no Jornal do Commercio, no domingo, véspera de sua morte trágica.

           No dia 7 de julho de 1960, o poeta estava no carro de seu amigo, o advogado José Francisco de Moura Cavalcanti, quando foram atingidos por um ônibus desgovernado. Carlos Pena recebeu uma violenta pancada na cabeça. O rádio logo divulgou a notícia e as autoridades e os amigos acorreram ao Pronto Socorro. O motorista e Moura Cavalcanti tiveram ferimentos leves, mas Carlos Pena não resistiu aos ferimentos e morreu no dia 11 de julho de 1960.

Deixou desolados seus amigos, os intelectuais de todo o Brasil, sua esposa D. Maria Tânia, sua filhinha Clara Maria, seus dois irmãos, Fernando e Maria. O cortejo fúnebre, com discursos à beira da sepultura e com grande acompanhamento de pessoas demonstrou quanto o poeta era querido.

Pesquisa
Maria do Carmo Andrade
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco

            Dotado de aguda imaginação, sensibilidade e inteligência estéticas, Carlos Pena Filho teria de sacudir a sua geração, logo em seus inícios, com a sua mensagem, no que ela tinha de mais convocador: a lucidez.  

 
(J. Gonçalves de Oliveira).


“Quando eu morrer, não faças disparates / nem fiques a pensar: “Ele era assim...”/ Mas senta-te num banco de jardim/ calmamente comendo chocolates./ Aceita o que te
deixo, o quase nada/ destas palavras que te digo aqui:/Foi mais que longa a vida que eu vivi,/ para ser em lembranças prolongada.”

            As palavras acima, escritas pelo poeta, pareciam prever que seus dias seriam poucos. No dia 07 de julho de 1960, Carlos Pena Filho sofreu um acidente de carro,               quatro dias depois, deixava este mundo.
        Mas, diferente do que pede no seu Testamento de um Homem Sensato, não pode ser esquecido.


http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=11&id_noticia=142737


Mauro Mota escreve, em “Improviso no Bar Savoy” (p. 123):
São agora vinte e nove
Os homens do bar Savoy.
Vinte e nove que se contam.
Falta um. Para onde foi?
Vinte e nove homens tristes.
Dentro deles, como dói
a ausência do poeta Carlos
na mesa do Bar Savoy.



Carlos Pena Filho

“O Escritor do Azul”





Quando não houver mais Sonetos e tampouco a Cor Azul, buscarei em ti a inspiração para poder tirá-los do teu poético baú.


Pesquisa Luis Eduardo Garcia Aguiar
Escritor – Jornalista – DRT 6006/PE
Segundo Tesoureiro da UBE

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