sábado, 28 de janeiro de 2017

Audálio Alves



Audálio Alves


  
              


Audálio Alves
Audálio Alves, poeta, advogado, jornalista, professor e bacharel em Letras Neolatinas, membro da Academia Pernambucana de Letras, nasceu em Pesqueira/Pernambuco em 02/06/1930 e morreu no Recife em 08/04/1999. Foi Diretor de Assuntos Culturais da Fundação de Arte de Pernambuco (Fundarpe), Ex-presidente da União Brasileira de Escritores (Seção Pernambuco), Diretor do Espaço Pasárgada (Casa de Manoel Bandeira), Diretor do Suplemento Literário do Jornal do Commercio (Recife) e criador do movimento poético “Espectralismo”.
Bibliografia:
Caminhos do Silêncio (1954); Alicerces da Solidão (1959); Olhar dá sede (1961); Canto Agrário (1962); Romanceiro do Canto Soberano (1966); Canto da Matéria Viva (1971); Canto por Enquanto (1982); Espaço Migrante (1982); O dia amanhece em minhas mãos.
Abre-se a toalha,
E a mesa se compõe
De minha companheira e cinco filhos
(que o sexto ainda não fala
e apenas sabe
querer os nossos braços e pousar)
Seguem-se os pratos e costume
e a fome
com seu garfo e sua faca
a divagar
O cotidiano em Audálio Alves está presente em vários poemas de seu livro Canto da Matéria Viva, editado em 1970, pela Livraria Editora Cátedra Ltda., do Rio de Janeiro:
Virgínia,
           Minha mulher,
parte todas as manhãs e realiza
enorme viagem,
sem sair de casa.
...
ao chegar à garagem
nos dias de inverno,
cuido do chão
para evitar insetos
Escreve para os amigos como Carlos Pena Filho, Cezário de Melo, Mauro Mota e tantos outros. Da morte do poeta Carlos Pena:
Maldito quem me lembre e quem te esqueça,
                                                     Amigo,
quando falo de amigo, quero vê-lo.
Insone tenho o polvo da memória
 Os animais e a natureza presente do interior e o Recife:
Poeta, mais civil,
da linha solitária do universo,
eu, Recife,
venho entregar
meu rosto a tuas sombras
Há na sua poesia, grande influência lírica ibérica:
Beija-me,
como espinho de rosa mutilada.
Beija-me,
que não sei o que dizes...
Ainda com mais profundidade e intimismo:
...sobre o chão de teu corpo
perco vida
mas
das cinzas do teu ventre
ressuscito...
    ... Morrias em Praça,
e em chamas:
muitos puderam ver
a pressa com que Deus se deslocava
nos extremos da carne iluminada.
Para o estudante Demócrito de Souza Filho, depois da sua morte, no livro Canto Agrário, editado pela Fundarpe:
Quem, no Recife, chegar
à Praça da Independência,
ao ver o solo sem manchas
e o ar sem cicatriz,
não pergunte onde é que foi
o sacrifício do Homem
Escreveu para luta racial dos Estados Unidos que provocou o homicídio do líder pacifista Luther King:
...Amigo, em teu país
Há lençóis de uma argila condenada...
Denunciou a estrutura feudal da propriedade agrária brasileira.
Mantenho a punhos fechados
                 o quanto posso
                    de espaço
recolher com as mãos abertas
Mais adiante:
...Talvez saltando de aceiro,
            dedo e dente
           assim trincados
leve o futuro na mão...
Na visão de Audálio Alves, a seca.
... Flagelados dizem-se
    e, ao dizer, se vão da vista
    nossa
    como rude aparição
    Confundidos ficaremos,
    se, após passarem eles,
    não passar o burro e o cão...
Enfim, para o poeta diz:
...Faze de bronze o homem de
   amanhã
   de ouro, as foices
   e de aço essa visão do tempo
   inicial
   Só assim terei meus mortos sossegados...

Fonte:

Vejam também:
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/pernambuco/audalio_alves.html


Pesquisa Luis Eduardo Garcia Aguiar
Escritor – Jornalista – DRT 6006/PE
Segundo Tesoureiro da UBE

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